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Entrevista sobre vitamina D

August 3, 2018

Fui entrevistado recentemente sobre a questão da vitamina D e como são informações bastante importantes, compartilho aqui as perguntas e respostas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Muitas pessoas que têm carência de vitamina D têm, ao mesmo tempo, medo de tomar muito sol e desenvolver um câncer de pele. Isso é mito? Como dosar?

 

Pedro Ivo: De fato, muitas pesquisas que deram origem à essa informação foram feitas com animais de laboratório, sujeitos à radiação ultravioleta pura. Algo bem diferente do sol, que embora contenha a radiação ultra-violeta, contém toda uma gama de radiações, como o espectro visível e a os raios infravermelhos, que interessantemente possuem efeito protetor e reparador.

 

Por exemplo, estudos mostram que pessoas que trabalham ao ar livre e recebem muito mais radiação UVB tem menor incidência de câncer de pele do que aqueles que trabalham em ambientes internos, é algo para refletir. As pessoas precisam ter apenas bom senso, se ficam longos períodos quase sem tomar ao sol e resolvem ir para a praia num fim de semana e ficar horas no sol forte, é evidente que isso causa lesões na pele.

 

Como dosar: O que é extremamente interessante é que o sol do início da manhã não contém ainda radiação UVB, contém grande quantidade de infra-vermelho e esse infra-vermelho prepara nossa pele para o UVB do sol mais forte - ou seja, é um protetor solar.

O mesmo acontece no sol do fim da tarde e nesse caso, o infra-vermelho tem efeito reparador.

 

O sol que produz a vitamina D é basicamente o sol entre as 11:00 e 14:00, variando conforme a região e época do ano. Se a pessoa não tem costume de se expor ao sol, a melhor maneira é priorizar o sol da manhã, que traz inúmeros benefícios e prepara a pele para o sol mais forte e se expor ao sol mais forte por um curto período e ir aumentando gradualmente. Começando com 5 ou 10 minutos e aumentar aos poucos, nunca chegando ao ponto de se queimar. E claro, sem protetor solar, que bloqueia a produção de vitamina D e está contribuindo para a epidemia de deficiência de vitamina D que vemos atualmente.

 

- Quais são os principais problemas que uma pessoa que possui carência de vitamina pode vir a ter ao longo da vida? qual o pior deles?

 

Pedro Ivo: São muitos, é difícil dizer qual o pior, depende do estado de saúde dos outros sistemas do corpo. A vitamina D tem relação com mais de 2000 genes importantes, de fato, ela é muito mais que um nutriente, é uma espécie de hormônio, influenciando o metabolismo de inúmeras maneiras. Uma das funções mais conhecidas e importantes da vitamina D é contribuir para absorção de cálcio e para a integridade óssea. Portanto, uma deficiência pode contribuir para ossos fracos, maior propensão a fraturas e até mesmo dores. Em crianças em fase de crescimento causa o raquitismo, que retarda o crescimento, causa fraqueza e subdesenvolvimento da estrutura óssea. A vitamina D é extremamente importante para o sistema imune e sua deficiência está associada a infecções mais frequentes e maior vulnerabilidade à doenças de modo geral, inclusive o câncer.

A fadiga e dores musculares também estão associadas e mais recentemente, depressão.

 

- Quais alimentos são sugeridos nesses casos? há algum equivalente à luz do sol?

 

Pedro Ivo: Os alimentos não fornecem quantidades significativas de vitamina D. As melhores fontes são produtos de origem animal, principalmente peixes, mas também ovos, leite e manteiga. Mas não recomendo que esses alimentos sejam consumidos com o propósito de fornecer vitamina D.

 

Para suprir o organismo de quantidade efetivas, a exposição saudável ao sol é necessária e os suplementos podem ser uma opção. Mas, pessoalmente, tenho minhas ressalvas. Prefiro, sem dúvida, a exposição frequente ao sol.

 

 

- Uma pessoa com carência de vitamina D terá que ficar atenta à luz e a estes suplementos/alimentos pra toda vida?

 

Pedro Ivo: Não, pois se conscientizando da carência e da importância de corrigir isso, é muito fácil reverter o quadro se expondo ao sol e / ou suplementando com uma dosagem eficiente. Se isso for feito, os níveis sanguíneos se reestabelecem rapidamente.

Mas quem teve deficiência e a corrigiu, deve estar atenta à vitamina D do mesmo modo que qualquer outra pessoa.

 

 

- Qual a ligação da vitamina D e a depressão? como esta carência pode afetar nos sintomas da doença?

 

Pedro Ivo: Parece realmente existir uma ligação entre a vitamina D e depressão, segundo estudos recentes. Mas, o que sem dúvida existe em grau de tremenda importância é a relação entre o sol e a depressão. O que quero dizer é: a importância do sol para a saúde vai muito além da vitamina D, no caso de distúrbios psíquicos, como a depressão, o sol da manhã é extremamente benéfico pois estimula a produção de dopamina e serotonina, que são neurotransmissores responsáveis pelo bem-estar e pela motivação. Além disso se expor ao sol estimula a produção de endorfinas que geram prazer e diminuem a sensação de dor.

 

Voltando à vitamina D, pesquisadores descobriram que a vitamina D participa da conversão do triptofano, um aminoácido, em serotonina, um dos principais neurotransmissores responsável pela nossa sensação de bem-estar e tranquilidade.

 

Receptores de vitamina D foram encontrados em várias partes do cérebro, que significa que a Vitamina D está presente e atuando no cérebro. Alguns desses receptores foram encontrados em áreas relacionadas com o desenvolvimento da depressão.

 

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