Luz: o elo obscurecido da saúde


Ainda estamos no limiar da plena compreensão da complexa relação entre a luz e a vida, mas agora podemos dizer enfaticamente que o funcionamento de todo o nosso metabolismo depende da luz.

Fritz Albert Popp - biofísico

A Luz no âmago de nossa biologia

Não apenas somos seres eletromagnéticos, mas a luz também está no cerne da nossa biologia no sentido de, por exemplo, o DNA emitir biofótons.

Todo nosso organismo é esculpido e sintonizado pela luz.

Os predecessores do olho não foram feitos para ver, mas apenas para distinguir as variações de intensidade da luz durante o dia e ao longo do ano - para a sincronização do ritmo circadiano.

Essa função primordial que dá surgimento aos olhos ainda está gravada indelevelmente no fulcro do seu funcionamento,

olho é um relógio cósmico

É basicamente um clichê dizer que o sol é a fonte da vida, mas o impacto deste fato não habita a consciência de grande parte da humanidade, pelo contrário, o sol tem sido nas últimas décadas mais encarado como fonte de doenças e riscos para a saúde.

A alternância diária entre a luz e escuridão é chamada de ciclo circadiano. O estudo da influência desse ciclo nos seres vivos é a biologia circadiana.

Nossa biologia está sintonizada e programada em cada mínimo detalhe para detectar a luz - em seus diferentes espectros, inclusive os invisíveis - e suas variações.

Nosso olho pode perceber um único fóton. Temos receptores de luz na pele, e quase 50 % do nosso cérebro está conectado com informações visuais.

O trabalho pioneiro de John Ott

John Ott é conhecido por ter popularizado e aperfeiçoado a técnica de fotografia em time-lapse, nas décadas de 50 e 60, com filmes de plantas crescendo e flores desabrochando, sendo contratado para uma série de filmes da Dysney (Secrets of Life, 1956).

Por causa dessas experiências com as plantas, Ott começou a perceber fatos muito interessantes.

Por exemplo, quando ele estava fotografando uma planta de abóboras, flores masculinas nem chegavam a abrir e já apodreciam.

Desconfiando que era o tipo de iluminação, trocou a lâmpada por outra, com diferente amplitude de espectro, e nesse caso, afetou as flores fêmeas. Apenas depois de conseguir um espectro mais completo, teve sucesso na polinização e na formação de abóboras.

Depois disso, aconteceu um episódio com ipomeias, em que as flores caiam antes de desabrochar, e isso acontecia mesmo ao ar livre. Ott percebeu que o o flash das fotografias que eram tiradas durante a noite causavam essa disfunção.

Quando estava registrando o desenvolvimento de uma maçã na macieira, que estava dentro de uma estufa, a maçã não amadurecia, quando ele retirou os vidros - que bloqueavam a radiação ultra-violeta, a maçã amadureceu. A maçã não amadurece sem a presença dos raios ultravioleta.

A partir dessas e de inúmeras outras observações, Ott foi ficando muito intrigado e interessado no efeito das diferentes frequências da luz e do espectro completo natural nos seres vivos.

E iniciou uma jornada fascinante de pesquisas.

Começou a observar e estudar os efeitos da luz a nível microscópico.

Ott começou a utilizar o time lapse em microfotografias e presenciou acontecimentos que ninguém havia visto ou talvez suspeitado.

Ao observar os movimentos das células em uma espécie de capim, aprendeu que as células se comportavam de maneira bastante diferente sob diferentes luzes coloridas.

Essas células se moviam e funcionavam em um padrão estabelecido quando expostas a qualquer condição de luz solar natural. No entanto, este padrão era quebrado e as células se comportavam de maneira confusa ou até mesmo ficavam paralisadas e se aglomeravam quando determinados filtros de cor eram usados ​​na luz do microscópio.

Sua busca logo o levou a células de animais. Então, novamente, descobriu que poderia criar mudanças radicais nas células, trocando de cor no microscópio. Poderia aumentar sua atividade metabólica e até matá-las.

Foi durante a realização de uma série de experimentos em que células individuais foram sendo fotografadas à medida que certas drogas eram introduzidas, que Ott notou que ao mudar os filtros da lente da câmera de uma cor (ou comprimento de onda) para outra, podia afetar mais o comportamento das células do que as próprias drogas.

A pesquisa dele foi bem intensa e está detalhada no livro "Health and Light" e no documentário "Explorando o espectro".

Tudo isso que citei é mostrado no documentário acima, com as imagens originais, VER os efeitos da luz nas células e os resultados nos animais é bem mais didático do que apenas ler.

Experiências com grupos de ratos, que ficaram em vários tipos de iluminação mostrou que a luz afeta o comportamento, a vida sexual e a saúde em níveis profundos. Um tipo lâmpada fluorescente gerou câncer nas caudas e diminuição do período de vida.

O que na verdade fica claro nesse estudo é que não é uma frequência de cor específica que causa os problemas, mas a falta de algumas frequências na iluminação artificial.

Ott também visitou aquários e constatou que a iluminação era crucial para a sobrevivência de algumas espécies de peixes e para o desenvolvimento sexual também.

Ampliou sua pesquisa para seres humanos, visitando restaurantes, presídios, escolas, etc.

Em uma escola com iluminação de lâmpadas fluorescentes normais instalou uma câmera na sala de aula durante um período para registrar o comportamento dos alunos.

Depois a lâmpada foi trocada por uma de espectro completo, similar ao da luz do sol. Os resultados foram bem interessantes. Os alunos, de modo geral, ficaram mais tranquilos e um deles especificamente mudou radicalmente - tinha problemas de aprendizado e era considerado hiper-ativo, com a mudança na luz, seu comportamento mudou e evoluiu drasticamente no aprendizado.

Aqui está o trecho da filmagem:

Em relação à nossa saúde, após décadas de estudos e centenas de experimentos, John Ott concluiu:

"O ser humano moderno não se expõe à luz natural suficientemente e está excessivamente submetido à luz artificial, isso modifica a química do cérebro e os ritmos circadianos vitais. Essa síndrome contemporânea é uma epidemia silenciosa chamada má-iluminação."

As pessoas ficam doentes por deficiência de certos nutrientes e excesso de outros e também por deficiência de certas frequências de luz e excesso de outras.

RITMO CIRCADIANO

O termo ritmo circadiano vem do latim circa (que significa aproximadamente) e diem (dia).

O ritmo circadiano mais óbvio é o ciclo sono-vigília, e dentro dele existem variações na temperatura corporal, liberação de hormônios e até mesmo de expressão gênica.

A estrutura principal desse sistema regulador é o núcleo supraquiasmático (por vezes abreviado NSQ) mediante a estimulação ou inibição da secreção de melatonina pela glândula pineal.

Todas as células do corpo possuem genes-relógios, que como o nome diz, agem como pequenos relógios celulares, acompanhando a hora do dia. Esses genes são influenciados principalmente pela luz.

Nosso corpo é composto por trilhões de células, e portanto trilhões de relógios. Eles se comunicam para acompanhar o ritmo circadiano, que governa todos os aspectos de nossa biologia.

Dado que a coordenação rítmica entre as células é tão crucial, não é surpreendente que pesquisas continuamente revelem problemas de saúde associados a distúrbios no ritmo circadiano.

Algumas funções estão programadas para acontecer na ausência de luz, de noite e durante o sono e outras, durante o dia.

Um rompimento dessa coordenação não apenas leva a uma sensação de jet leg perpétuo, que de fato está acontecendo - uma espécie de jet leg cósmico e visceral - já que estamos em desacordo com os ciclos da Natureza, que existem não só lá fora, no céu e a nossa volta, mas dentro de nós, no centro do nosso cérebro, e em cada célula... não é a toa que essa falta de ritmo se revele em: