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KOMBUCHA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

February 22, 2018

O intestino humano, que tem sido chamado de "segundo cérebro", mede cerca de 8 metros e sua superfície abarca a área de uma quadra de tênis. Contém por volta de 500 milhões de neurônios, produz pelo menos 30 neurotransmissores diferentes, cerca de 95% da serotonina do corpo e apresenta 400 vezes mais melatonina do que a região da pineal.

 

Além desses fatos já espantosos é habitat para todo um ecossistema de mais de trilhões de criaturas de até 1.000 espécies diferentes. Podemos inclusive ter (ou ser?) mais células de bactérias do que humanas. Nós fornecemos alimento para elas (aí a grande importância das fibras) e elas nos fornecem vitaminas, energia e proteção (por volta de 70% da atividade imunológica ocorre nos intestinos).

 

 

 

Assim como o coração, também se comunica diretamente com o cérebro através do nervo vago e por sinais bioquímicos.

 

A importância da microbiota intestinal para a saúde é algo indiscutível. Inúmeros fatores influenciam a população de bactérias do nosso intestino, dentre eles, a ingestão ou não dos chamados probióticos.

 

Um tipo de probiótico vem recebendo especial atenção e divulgação nos últimos anos é a kombucha.

 

A Kombucha

 

Essa bebida fermentada tem adeptos fervorosos e muitos benefícios são atribuídos a ela, porém muitos especialistas (dentre eles o micólogo Paul Stamets) mostram ressalvas e até certa preocupação.

 

De acordo com meu entendimento e investigação, se você tem interesse em alimentos fermentados existem opções muito melhores e seguras.

 

Aqui vão alguns aspectos que são válidos considerar:

  • Há uma população muito grande e variável de microorganismos, incluindo bactérias e leveduras (fungos). Isso significa que de acordo com diversos fatores incluindo o local, clima, etc. as espécies predominantes variam e os subprodutos bioquímicos produzidos também.

  • Esses microrganismos são alimentados com açúcar. O meio aquoso adoçado é um meio não-seletivo, ou seja, muitas espécies diferentes podem prosperar, incluindo patogênicas como Aspergillus, Candida, Cryptococcus e Fusarium.

 

  • Devido a isso, a kombucha pode ser contaminada facilmente por esporos e bactérias que estão no ar ou no ambiente, essas contaminações apresentam perigos reais como as micotoxinas produzidas pelo Aspergillus, que são cancerígenas.

 

  • A microbiota intestinal possui seu equilíbrio, ingerir populações de diversos microrganismos amantes de açúcar frequentemente pode desequilibrar a “flora”. Esses organismos que se instalam no intestino, precisam de alimento, ou seja, precisam de açúcar.

 

  • Diversas pesquisas (por ex esta e esta) já demonstraram que nossa microbiota intestinal influencia nossas tendências para determinados alimentos, não me parece nem um pouco interessante colonizar os intestinos com populações que necessitam de açúcares, é muito provável que isso aumente sua vontade por doces.

 

  • O pH é extremamente ácido, que altera o pH da boca e as bactérias da boca, podendo levar a problemas, como cáries, relacionados a isso.

 

  • Dentre os subprodutos da fermentação está o álcool, que sabemos não ser saudável.

 

 

 

 

Os fermentados que considero mais interessantes são principalmente os feitos a partir de vegetais fermentados, existem centenas de opções (o chucrute é um dos mais conhecido e fácil de fazer) feitos com eles crus ou já cozidos, nestes casos, as bactérias se alimentam de carboidratos complexos – fibras. Além disso, não contém fungos, que não são necessários para nossa microbiota, e se houver contaminação é muito fácil de identificar.

 

 

 

Outras opções são o iogurte, cujo meio é seletivo e os microrganismos são já bem conhecidos e estudados ou mesmo o kefir de leite, este também com ressalvas, por conter leveduras e se alimentar de açúcares simples (o iogurte entra em menor grau nisso também).

 

Atualmente existe também a opção de manipulados com cepas específicas.

 

 

Estudos e Referências:

 

http://www.fungi.com/blog/items/kombucha-my-adventures-with-the-blob.html

 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4270213/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3554020/

 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24290641

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7486385

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19460826

https://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/00039742.htm

 

 

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